
O que mais me agrada no futebol é a escolha do clube não ser exactamente uma escolha: normalmente somos do clube que nos instigam a ser em pequenos, seja o instigador um dos nossos pais, a família toda ou os amigos. Só isso. Não temos de defender os argumentos que nos levaram a sentir simpatia com um clube, porque é apenas isso, uma questão de simpatia à primeira vista.
Se por um lado me agrada esta falta de racionalidade na escolha, sinto um óbvio repúdio quando a simpatia se vai exacerbando até se tornar em fanatismo. Para desfrutar, há que manter as coisas simples e essa simplicidade desaparece quando os resultados da nossa equipa nos tiram o sono e nos arranjam inimizades.
Eu sou portista. E sou portista quer o meu Fê Cê Pê ganhe, perca ou empate. Obviamente que fico muito contente quando vence e não me agrada nada que seja derrotado. Por mim o Porto ganha sempre, jogue bem ou jogue mal.
O meu Porto serve-me sempre para fazer conversa com as pessoas, sejam elas portistas ou não. Como quase toda a gente tem simpatia por um clube, o futebol é um tema universal... desde que a conversa seja travada com bonomia e sentido de humor. Nunca tive discussões acesas com ninguém por causa do meu Portinho... execepto com o namorado, claro. Porque é importante debater a fundo qual é o estádio mais bonito, o Dragão ou a Luz!
Sempre tive esta postura. Por isso me surpreende o que se passou comigo há pouco.
Estava eu no meu quarto a ler "Uma Teoria da Justiça" de Jonh Rawls, quando... O.K., é mentira, estava a ver o Jay Leno na SIC Mulher, quando a minha mãe bate à porta do meu quarto, entra e diz em tom de caso: "O Porto empatou com o Olhanense". Fiquei perplexa e respondi: "E..." Pensei que se seguisse algo. Mas responde a minha mãe: "Nada, era só isso." Ora, a minha mãe não é fanática, nem sequer gosta de futebol, é só portista por simpatia. Mas deslocou-se propositadamente ao meu quarto para me dar essa notícia. O que raio se passa? A minha mãe ensandeceu ou eu pareço uma hooligan?