Parafraseando a Dr.ª Rute Remédios, as opiniões são como as vaginas: cada uma tem a sua e quem quiser dá-la, dá-a. Neste blog, Julie D´aiglemont dá a sua. Opinião, claro. E nem sempre da forma mais respeitosa. Isso ofende a vossa sensibilidade? Então, ide, ide. Ide ler o programa de um qualquer partido de extrema esquerda, que de certeza é mais consentâneo com vossos princípios morais.





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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Literatura alternativa (#4)

Pierre Louys (1870-1925) é um autor multíplice e de grande complexidade. Os seus textos editados abrangem domínios tão diversos como a poesia, o conto, o romance, a tradução, o ensaio de investigação literária ou a epistolografia. Era também detentor de uma indesmentível paixão antipuritana, que o conduziu a celebrar o hedonismo e a definir-se sumariamente como um “pagão da fé”.

Este “Manual de Civilidade para Meninas” é uma hilariante caricatura dos livros de moral para crianças. Está dividido em capítulos que se destinam a orientar o comportamento das meninas nas diversas situações da vida quotidiana, designadamente No Quarto, Em Casa, Na Copa, À Mesa, Nas Aulas, Na Igreja, etc.

Retirei algumas lições avulsas ministradas nesta obra, que deveria ter lugar em todas as bibliotecas de meninas bem comportadas. Eis alguns dos conselhos:

Quando não estiverdes inteiramente certa de não terdes sífilis, não deveis colocar uma pissa postiça na boca de um bebé, a fim de lhe dardes de mamar o resto do leite que tiver ficado nos colhões de borracha.

Não mijes no degrau mais alto das escadas, para fazer cascatas.

Não cuspais da varanda para cima de quem passa; sobretudo se na boca tiverdes esperma.

Não façais movimentos de pôr e tirar, na vossa boca, com um espargo, olhando com languidez o jovem que quereis seduzir.

Se deparardes com um cabelo suspeito a nadar na sopa, não deveis exclamar: “Viva, um pêlo do cu!”

Todas as noites, e antes de vos entregares à masturbação, orai de joelhos.

Antes de irdes comungar, se chupardes alguém, não engulais o esperma, pois assim deixaríeis de ficar em jejum.

Não vos esqueçais de dizer “se faz favor”, quando pedis uma pissa, ou de responder “obrigada”, quando vo-la oferecem.

Ao subirdes para o automóvel de vossos pais, não beijeis o motorista no pescoço, mesmo sentindo-vos vós reconhecida por ainda há pouco vos ter fodido seis vezes.


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Literatura alternativa (#3)

No prefácio desta obra, o Presidente da Junta de Freguesia de Campanhã à data da publicação do livro, Rodrigo Oliveira, refere que a entidade a que preside “tem vindo a editar obras que fazem a história da Freguesia mas também a de alguns dos seus filhos atentos que teimam em adquirir e espalhar, os valores culturais verdadeiramente genuínos que muito contribuem para o bom nome e enriquecimento da nossa terra. Como é Belo ver o Autor possuidor de Jovialidade impressionante, apesar da idade, escrever poemas que fomentam o Amor e trespassam a riqueza de quem tudo dedica e nada pede em troca. Que este trabalho do homem bom que é o Amigo Manuel Pinho, ajude os vindouros a pensar e a escrever poemas.” (as vírgulas e maiúsculas são da responsabilidade do autor das frases).
Na introdução, Manuel Pinho justifica a edição do livro dizendo ter sido convidado a juntar todos os versos que escreveu ao longo da sua carreira. Confessa a sua apreensão inicial, consciente de que o livro “irá ser lido por pessoas de diversos graus de cultura”.
Considerou o convite irrecusável e por isso o aceitou.
Esclarece ainda: “Vão ficar para a história os meus versos, mas fica também a certeza que tudo que fiz, foi com o sentido de dar algo à cultura da minha terra, a minha querida Campanhã. E se me permitem, vou dedicar este Livro à minha Orquídea, a Companheira de sempre.”
Pela forma embevecida como o poeta olha para o fontenário, interrogo-me se não estaria a pensar na sua Orquídea…
Os poemas propriamente ditos são encabeçados por títulos bastante sugestivos e variados: Poema ao Dr. Maurício, Ao Fernando Gomes, Ao Domingos, Ao Vítor Baía (poderia ter feito ao resto do plantel, caraças), À Rosa Mota, Hino Ao Campeão F. C. Porto – 1995, Benfica (não há como ser imparcial), Matosinhos, Ar Líquido (3 poemas com este título), C.C. Atletismo de Bonjóia, Quero Ser Cowboy (que belo vaqueiro daria o poeta), Natal do Doente, O Imigrante (numa clara confusão com emigrante), Bombeiro Voluntário, Fado do Bombeiro, Rádio Festival, O Dinheiro, A Felicidade, Timor, Tabuaço, O Árbitro, O Fontenário, Aos Capitães de Abril, O Zé Bolinhas
Enfim, percebe-se que é um poeta eclético.
Escolhi um que me causou perplexidade, porque gosto de pensar que o Sr. Manuel Pinho está a falar de uma experiência pessoal (de certeza!), afinal não é invulgar um artista ceder aos prazeres de um vício…

Maldita Droga

Oh droga…
Porque me droguei?
Meu Deus…
Se eu sei, que os efeitos seus
São nocivos
Para a saúde
Foi alguém que nunca vi
E que nunca conheci
Que me pôs…
Nesta atitude.

Droga
Oh pó sujo e repelente
Tu destróis constantemente
A vida, da mocidade.
Droga
Tu que enches aos milhões
O bolso dos tubarões
Sem escrúpulos, nem verdade.
Oh droga
Atiras sem mais aquelas
P´ras sargetas e vielas
Gerações e gerações.
Nas famílias
Causas lutas
Tu só crias prostitutas
Vadiagem e ladrões.
Oh Deus
Que no céu estais
Atendei nossa oração
Fazei com que a juventude
Tome esta nobre atitude
De à droga, dizer que não!...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Literatura alternativa (#2)

Quem me conhece sabe do meu deleite sempre que ponho a vista em livros, filmes ou música, uhm... digamos, alternativos. Como tenho amigos muito generosos, de quando em vez sou presenteada com verdadeiras pérolas.
Em tempos, a minha amiga Rosebudd desempenhou as funções de jurista da Liga de Clubes, tendo-lhe chegado às mãos esta preciosidade literária. Sabendo como eu iria apreciar, foi incansável até me conseguir oferecer um exemplar.
Ficha técnica do livro:
LIGA PORTUGUESA DE FUTEBOL PROFISSIONAL
Comissão de arbitragem
AUXILIAR DO ÁRBITRO
Edição de 1999/2000
Coordenação e redacção: José Mesquita (Árbitro 1ª Cat. Nacional)
Colaboração de: Carlos Pinto, Óscar Fernandes (Liga Portuguesa de Futebol Profissional)
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Os autores começam por explicar o objectivo da obra:
"Não basta saber de cor todas as Leis do Jogo. É preciso compreender o seu espírito para bem as aplicar.
"Só se pode ser um árbitro completo quando se tenha assimilado o espírito que ditou as leis do Jogo."

O texto balança entre o tom coloquial e a escrita barroca, temperado com uma ignorância assustadora acerca da função da vírgula. Seguem-se extractos (como sempre, o texto a negro é da minha autoria):
"O teu equipamento deve ser discreto:
Sede cuidadosos no equipamento, digo mesmo impecáveis, mas sem ostentação, evitando tudo o que possa chamar a atenção do público. (Como assim?! Um árbitro não pode usar um calção de brocado, uma camisa dourada e puruprinas nos cabelos?)
Escolhe um bom apito e não uma gaita. Uma apitadela em forma no momento preciso, é de grande impressão para o público e um bom sintoma de segurança do árbitro. (não adivinhavam vocês o advento das vuvuzelas, que haveriam de abafar o apito)

"O árbitro não deve ser só árbitro no campo. Na vida particular deve ser um verdadeiro homem, pois a sua linha de conduta na vida privada reflecte-se, e muito nas arbitragens. (recuso-me a comentar - muito óbvio)

"Tem cuidado com as meias, pois que uma meia rota ou mal cozida, além de não ser agradável à vista pode magoar os pés e para quem tem de andar sempre a correr não é nada cómodo.

"Duma maneira geral, a preparação física dos árbitros é bastante rudimentar. Uns fogem dela como o rato do gato. (…)

"As cargas correctas são permitidas pelas Leis do Jogo. Eliminá-las dos jogos, é defraudar o código do jogo e transformar os jogadores em figurinhas de porcelana fina. Lembra-te que o futebol é um desporto para homens. (como já pratiquei futebol, quando li esta passagem senti-me um sapatão)

"Quando os jogadores comecem a mostrar-se nervosos, aperrai o vosso “revólver”, isto é, o vosso apito, e ”apontai-o” à cabeça do primeiro que tente “matar” o adversário. Perdoai-me a imagem. É para fazer compreender melhor como deveis proceder em tais emergências.

"Alguns árbitros supõem que, se têm um apito, é para apitar. Apitam, apitam. Parecem verdadeiros melros.

"Faz por ser discreto e não “blasones”.

"Depois do jogo e no remanso do teu lar, faz um exame de consciência, sincero, de tudo quanto se passou. Ela dir-te-á a verdade sobre o teu trabalho. Isto é mais honrado e inteligente que fechar os olhos e crer que arbitras, sempre bem."

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Literatura alternativa: "Como Prolongar a Vida com Força Saúde e Beleza Ao Alcance de Todos com Método de Cultura Física"


A obra "Como Prolongar a Vida com Força Saúde e Beleza Ao Alcance de Todos com Método de Cultura Física" foi escrita pelo malogrado Tarzan Taborda.

Desfrutemos, então, de extractos do seu conteúdo (o texto a preto são meros comentários meus).

"3ª Edição – Esclarecimento
Caros leitores:
Informa-se que, após a saída da 1ª edição, toda a comunicação social reconheceu o grande valor deste livro como sendo diferente de tudo o que já leu. (sem dúvida!) E todos os maiores jornais, revistas, estações de rádio e televisão, nas suas entrevistas e críticas, recomendaram e recomendam a sua leitura do princípio ao fim, porque só assim poderão compreender os seus mais de 300 conselhos, em síntese, sobre outras tantas doenças que curam mesmo se forem executados correctamente, porque foram tirados de uma prática com sucesso e que formam uma autêntica mini-enciclopédia de saúde que, deve estar sempre a mão como um pronto socorro, conselhos que, seguindo-os, os manterão, também sempre saudáveis e num constante alerta contra a doença e que, ao mesmo tempo, lhes pode salvar a vida no momento exacto. (sim, tudo numa só frase)
Prova-se o que se diz, a seguir ao índice, com uma pequena amostra das muitas páginas inteiras de jornais e revistas, mesmo as de televisão. Não confundir com a mini amostra de mais de 8 mil recortes que o autor possui, como vedeta em todo o Mundo. Considerado por muitos jornalistas, ao longo de uma brilhante carreira de mais de 40 anos consecutivos o maior e mais completo atleta português de todos os tempos, (mas afinal quem foram Eusébio e Carlos Lopes...) que terminou com um repto em dez modalidades, referido constantemente na televisão e em toda a imprensa falada e escrita aos maiores atletas portugueses entre 1983 e 1993, tendo mesmo oferecido um milhão e dez milhões de escudos a quem o conseguisse bater, o que ninguém conseguiu nos últimos 40 anos de uma carreira de invencível a nível nacional. E em território nacional mesmo contra grandes campeões estrangeiros tais como Spartacus Leandros, etc."

E agora, passagens retiradas do livro propriamente dito:
"HIGIENE PESSOAL:
Sendo possível, deve tomar-se sempre um duche quente após cada treino. Caso contrário, dever-se-á, ao menos, passar uma esponja molhada pelo corpo; mas uma toalha grossa também é suficiente para remover os resultados da transpiração.

BANHOS DE SOL
Em certos casos especiais, é aconselhável a prática do nudismo, pois que a maior parte dos raios solares penetram pelos testículos e pelos mamilos.

A VIDA SEXUAL DO ATLETA E CULTURISTA
Pela já minha longa experiência sobre a matéria, tenho constatado que se têm cometido vários erros neste capítulo, tanto pelo pensamento generalizado do povo, como igualmente de muitos directores desportivos que comungam a mesma ideia, evidentemente errada. É hábito dizer-se que os culturistas são homens que apesar da sua bela aparência física, sexualmente são uma nulidade e que só poderá ter bons músculos quem deixar o sexo para último plano. Ora, isto é totalmente errado.
Nas minhas andanças pelos quatro cantos do mundo conheci muitos culturistas, para não falar do meu caso pessoal, que contradizem, sem margem para dúvidas, a falsa opinião que se tem acerca deles.
(…)
Por experiência própria, e por conhecimento de vários casos, pude verificar que a abstenção de relações sexuais uns três ou quatro dias antes de competições importantes torna os atletas pesarosos e presos de reflexos, tanto física como mentalmente. Por isso, foi-me dado constatar que o ideal é uma abstenção que não fosse além das 30 horas antes de cada prova ou combate. (…) Em todos os casos é recomendável que se pratique ao deitar para se recuperar as energias durante o sono."