É bem verdade que a adolescência é uma altura muito cruel da vida do ser humano, porque lhe está inerente uma indómita parvoíce. A minha, passada em fins dos anos 80, não fugiu a essa regra: imagine-se que até me passava pela cabeça que o mundo poderia ser mudado!
Vaclav Havel foi um dos culpados por eu ter acalentado ideais tão pouco plausíveis.
Era apologista de que "verdade e amor devem prevalecer sobre a mentira e o ódio", tendo norteado a sua "Revolução de Veludo" por esse princípio.
Mas além disso, deixou obra literária reconhecida: em 2005, foi eleito pela revista Prospect* como o 4º intelectual mais influente do mundo.
Lech Walesa (outro dos políticos que nortearam a minha adolescência por caminhos de utopia) reagiu à notícia do seu congénere checo dizendo que ficou a dever-se-lhe um prémio Nobel da paz.
É sempre muito triste quando desaparece alguém dotado de qualidades intelectuais e probidade moral.
*Já uma vez falei aqui dessa lista, com o propósito de eleger um português - não percebo a indiferença com que a minha ideia foi acolhida.
