Parafraseando a Dr.ª Rute Remédios, as opiniões são como as vaginas: cada uma tem a sua e quem quiser dá-la, dá-a. Neste blog, Julie D´aiglemont dá a sua. Opinião, claro. E nem sempre da forma mais respeitosa. Isso ofende a vossa sensibilidade? Então, ide, ide. Ide ler o programa de um qualquer partido de extrema esquerda, que de certeza é mais consentâneo com vossos princípios morais.





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quinta-feira, 22 de março de 2012

Dia da poesia

Foi ontem, bem sei. Mas sou retardada em tudo, como sabem.
Confesso que não aprecio poesia. Faltam-me, talvez, a sensibilidade e inteligência necessárias para apreciá-la, mas a verdade é que prefiro a prosa.
Apesar disso, há meia dúzia de poetas cujo brilhantismo é de tal monta, que os leio com prazer.
Nicolau Tolentino é um deles.
Este poeta ficou para a posteridade, essencialmente, por causa das sátiras aos usos da época.
Aqui vai um exemplo, em que ridicularizava os penteados da moda:

Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé no chão, a mãe ordena
Que o furtado colchão fofo e de pena,
A filha o ponha ali, ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz co'a doce voz que o ar serena:
"Sumiu-se-lhe um colchão?! é forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada.

"Tu respondes-me assim? Tu zombas disto?
Já cuidas que por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?" E, dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado;
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado.

Agora, imaginem o que escreveria Tolentino se tivesse como inspiração estes objectos (recuso-me a chamá-los de sapatos):