Já há uma semana que se tinham manifestado os primeiros sintomas de febre e eu não manifestava qualquer intenção de pedir opinião clínica avisada. A minha pressurosa amiga AS não esteve com rodeios e arrastou-me para o HPP da Boavista. Obviamente que fui contrariada. Tão contrariada, que AS fez questão de me conduzir na sua própria viatura, de modo a assegurar-se de que eu seria vista por um médico.AS é uma rapariga mesmo muito ocupada, o que significa que o meu estado era visivelmente deplorável. Apesar disso, mesmo quando estou doente, há duas coisitas que dificilmente perco: a fome e o sentido de humor inoportuno.
Já na sala de espera, comecei a tecer considerações sobre as reais intenções de AS: de certeza que queria era que eu ficasse lá internada. A danada confirmou. Que sim! Eu que reparasse bem, as pessoas entravam nos consultórios, mas ninguém as via sair!
E o circo começou!
Estou convencida que alguém apressou a minha consulta, porque no meio de uma respeitável sala de espera cheia de pessoas doentes, ouviam-se as nossas gargalhadas entrecortadas por comentários sobre tráfico ilegal de órgãos.
Depois de me auscultar, a médica resolveu sujeitar-me a uma bateria de exames para excluir qualquer possibilidade de pneumonia: raio X, exames ao sangue, uma nebulização e o diabo a quatro (bendito seguro de saúde).
Sozinha e entediada, resolvi comunicar por SMS com AS, que se mantinha estoicamente à minha espera.
EU: Socorro! Estou numa banheira de gelo!
AS: Que tipo de flores queres na coroa que vamos comprar em representação do escritório?
EU: As mais caras que houver! Eu mereço porque sou uma boa pessoa. Transmite aos meus pais que quero os Broa de Mel a cantar no funeral.
AS: Nos chineses estavam umas bem giras, que sempre têm a vantagem de não apodrecerem.
EU: O caraças! Quero flores caras e perecíveis para o povo ir em romaria enfeitar a minha campa! Quero ver-te todas as semanas a mudar as velas, ouviste?
AS: Deixo a decoração da campa para a D., que a há-de encher de almofadas, quadros e ambientadores exóticos.
EU: Foda-se que ela é menina para forrar a lápide com papel de parede.
AS: O problema é que vai mudar de papel várias vezes entre cinza e verde escuro. Ainda coloca em cima a mesa do hall do escritório colada com UHU, com revistas oferecidas pelo B.
EU: Estou a fazer uma nebulização. Tenho medo de te fazer perder demasiado tempo. Se precisares de ir embora, não há problema que eu apanho um táxi.
AS: Não faltava mais nada! Eu espero.
EU: Se pelo menos estivesses aqui para nos rirmos com o meu estado moribundo… Estou a tremer, mas é de fome. Ainda saio desta espelunca com uma fraqueza!
AS: Doida!
EU: Doida o caraças! Está aqui uma rapariga ao lado a queixar-se de fome. A estratégia deles é matar os pacientes à fome.
Depois de me auscultar, a médica resolveu sujeitar-me a uma bateria de exames para excluir qualquer possibilidade de pneumonia: raio X, exames ao sangue, uma nebulização e o diabo a quatro (bendito seguro de saúde).
Sozinha e entediada, resolvi comunicar por SMS com AS, que se mantinha estoicamente à minha espera.
EU: Socorro! Estou numa banheira de gelo!
AS: Que tipo de flores queres na coroa que vamos comprar em representação do escritório?
EU: As mais caras que houver! Eu mereço porque sou uma boa pessoa. Transmite aos meus pais que quero os Broa de Mel a cantar no funeral.
AS: Nos chineses estavam umas bem giras, que sempre têm a vantagem de não apodrecerem.
EU: O caraças! Quero flores caras e perecíveis para o povo ir em romaria enfeitar a minha campa! Quero ver-te todas as semanas a mudar as velas, ouviste?
AS: Deixo a decoração da campa para a D., que a há-de encher de almofadas, quadros e ambientadores exóticos.
EU: Foda-se que ela é menina para forrar a lápide com papel de parede.
AS: O problema é que vai mudar de papel várias vezes entre cinza e verde escuro. Ainda coloca em cima a mesa do hall do escritório colada com UHU, com revistas oferecidas pelo B.
EU: Estou a fazer uma nebulização. Tenho medo de te fazer perder demasiado tempo. Se precisares de ir embora, não há problema que eu apanho um táxi.
AS: Não faltava mais nada! Eu espero.
EU: Se pelo menos estivesses aqui para nos rirmos com o meu estado moribundo… Estou a tremer, mas é de fome. Ainda saio desta espelunca com uma fraqueza!
AS: Doida!
EU: Doida o caraças! Está aqui uma rapariga ao lado a queixar-se de fome. A estratégia deles é matar os pacientes à fome.
EU: Olha ! Ela pediu uma bolacha à enfermeira! E ela deu-lhe.
AS: Ah! É o sistema. São as cunhas.
AS: Ah! É o sistema. São as cunhas.
Muitos mais disparates foram ditos durante as três horas e meias de seca que a minha ditosa amiguinha AS passou por minha causa. Sim, três horas e meia de consultas e exames! O resultado?! O resultado de tão pormenorizados exames foi... eu tinha uma gipe! Uma gripe apenas! Nem uma pneumoniazita fui capaz de contrair para regalar AS… Não mereço os amigos que tenho!
D. não iria jamais optar por papel de parede numa lápide. O bom senso diz que rapidamente se iria desfazer; não é pratico.
ResponderEliminarOptaria, sim, em vez de lápide em mármore (absolutamente out); por uma em vidro espelhado em tons de cinza, ou cobre, e letras gravadas em preto com pequeno relevo.
No entanto, para o gabinete (da falecida e ex-sócia) aí sim...papel de parede.
Mas, em virtude do diagnóstico médico, quando tiver ficar com a apetecível divisão do escritório, o papel de parede também já não se adequará.... enfim....