Parafraseando a Dr.ª Rute Remédios, as opiniões são como as vaginas: cada uma tem a sua e quem quiser dá-la, dá-a. Neste blog, Julie D´aiglemont dá a sua. Opinião, claro. E nem sempre da forma mais respeitosa. Isso ofende a vossa sensibilidade? Então, ide, ide. Ide ler o programa de um qualquer partido de extrema esquerda, que de certeza é mais consentâneo com vossos princípios morais.





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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Os adoráveis seres humanos (#2)

O Papa Inocêncio VIII preocupava-se muito com a existência de bruxas e demónios, de forma que nomeou Henry Kramer e James Sprenger inquisidores dessas depravações heréticas.

Estes produziram o Malleus Maleficarum, o “Carrasco das Bruxas”, apropriadamente descrito como um dos documentos mais terríveis da história da humanidade.

O Malleus resume-se em grande medida à regra de que, se alguma mulher for acusada de bruxaria, é uma bruxa. A tortura é um meio infalível de demonstrar a validade da acusação e a ré não tem quaisquer direitos. Este manual técnico para torturadores também inclui métodos de sevícias concebidos para libertar os demónios do corpo da vítima antes de esta ser morta.

Com o Malleus na mão e a certeza do apoio do Papa, os inquisidores começaram a multiplicar-se por toda a Europa.

Quanto mais eram aqueles que, sob tortura, confessavam a prática de bruxaria, mais difícil era afirmar que todo o processo era uma mera fantasia. Legiões de mulheres foram queimadas na fogueira.

O papa Inocêncio morreu em 1492, após tentativas infrutíferas de o manter vivo com transfusões (que provocaram a morte a três rapazes) e amamentando-o ao peito de uma ama. Foi chorado pela amante e pelos filhos.


in Um Mundo Infestado de Demónios, Carl Sagan

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os adoráveis seres humanos

A minha família adoptou mais um cão abandonado. Um pormenor: o cão é velho, cego e denota sinais evidentes de ter estado preso a vida toda.
O que nos leva a concluir que, assim que acabaram os seus préstimos como hipotético vigilante da casa de alguma besta, esta decidiu abandoná-lo no meio da povoação em que vivem os meus pais.
Infelizmente, esta é uma história que está constantemente a repetir-se.
E por isso, cada vez mais tenho certeza de que a teoria do bom selvagem é uma piada escondida sob o manto de teoria filosófica.
Ninguém me convence que se não fosse proibido a maioria das pessoas não teria escravos, não mataria, não espoliaria o próximo dos seus bens...
Ah! Os adoráveis seres humanos e o seu espírito natalício!


P.S. Dado que estou dominada por este sentimento tão profundo de preservação da espécie, aviso já que em breve irei iniciar uma categoria em que partilho feitos de seres humanos notáveis.