Parafraseando a Dr.ª Rute Remédios, as opiniões são como as vaginas: cada uma tem a sua e quem quiser dá-la, dá-a. Neste blog, Julie D´aiglemont dá a sua. Opinião, claro. E nem sempre da forma mais respeitosa. Isso ofende a vossa sensibilidade? Então, ide, ide. Ide ler o programa de um qualquer partido de extrema esquerda, que de certeza é mais consentâneo com vossos princípios morais.





domingo, 7 de março de 2010

Avatar

Hoje é dia de Oscars! Adoro, porque junta no mesmo evento três coisas que adoro: cinema, humor e sapatos.
Parece que este ano tudo se perfila para que “Avatar” arrebanhe um grande número de homenzinhos dourados. Disso já não gosto.
Antes de “Avatar” estrear, estava doida para ver o filme, porque sabia que era 3D e visualmente muito bonito (sim, sou uma básica).
Entretanto, tomei conhecimento da história e esmoreci. Mas fui ver o filme à mesma.
Os receios que levava concretizaram-se: é um filme esteticamente muito bonito, mas não passa disso. A história é a maior exibição de maniqueísmo que vi desde as telenovelas venezuelanas: os bons são muito bons e os maus são muito maus.
Depois temos a teoria do bom selvagem… estava convencida de que desde Rosseau ninguém mais acreditasse que os selvagens têm uma índole pura. Afinal, foi a evolução social que proibiu a escravatura, a pena de morte, a tortura, etc.
Além disso, o filme injecta-nos com uma dose de proselitismo ecológico tal, que sai do cinema com uma vontade quase irreprimível de cortar árvores e poluir rios… sim, tenho uma tendência natural a reagir em sentido contrário às lavagens cerebrais.
E o pior de tudo: o enredo. Previsibilidade é um eufemismo para caracterizar o desenrolar da história, porque desde o início sabemos exactamente o que vai acontecer a cada personagem.
As sequências de acção foram esticadas até ao limite, de forma a engonhar um pedaço de história durante duas e quarenta minutos. Duas horas e quarenta minutos, meu Deus!
Sei que estou quase sozinha nesta opinião, porque as manifestações de apreço por “Avatar” são quase unânimes, inclusive por parte das pessoas que o viram comigo. Poderei ser uma pessoa muito insensível, mas não sou completamente estúpida e não gosto nada que subestimem a minha já de si parca inteligência: se me querem vender uma ideia, façam-no de uma forma subtil e com bons argumentos.

1 comentário:

Catherine Linton disse...

Querida Julie,
Imagine que neste momento estou a fazer-lhe uma vénia. É que estou mesmo. Nunca li uma crítica a um filme tão bem feita, tão acertada e tão inteligente. Ponha-se a pau que mais dia menos dia estará no Público a dissertar sobre cinema. O que aliás, não seria muito complicado, uma vez que acefalia que por lá impera é um bocadinho gritante.