Parafraseando a Dr.ª Rute Remédios, as opiniões são como as vaginas: cada uma tem a sua e quem quiser dá-la, dá-a. Neste blog, Julie D´aiglemont dá a sua. Opinião, claro. E nem sempre da forma mais respeitosa. Isso ofende a vossa sensibilidade? Então, ide, ide. Ide ler o programa de um qualquer partido de extrema esquerda, que de certeza é mais consentâneo com vossos princípios morais.





segunda-feira, 2 de maio de 2011

Desafio literário

A minha querida amiga Teresa propôs-me um desafio acerca de literatura, que aceitei com muito prazer. Apesar da imagem da ave rara que escolhi para ilustrar este post, aviso já que resolvi responder com seriedade (como, de resto, merece a Teresa). Desta vez não irão encontrar pelo meio da lista obras da chamada "literatura alternativa".
Aqui vão as respostas ao desafio:
1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes? Sim, imensos. Destaco as obras de Júlio Dinis, porque já reli todos várias vezes (a minha relação com este autor é de absoluta obsessão). E claro que também já reli e faço tenções de voltar a ler os dois livros que dão nome ao blog: Almas Mortas, de Gogol, e A Mulher de Trinta Anos, de Balzac (Julie D´aiglemont é a protagonista deste último).
2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim? Já uma vez disse que aqui que tenho grandes dificuldades em deixar um livro vencer-me. Até hoje, houve apenas dois que o conseguiram: Gaibéus, de Alves Redol, e Verónica Decide Morrer, de Paulo Coelho. Pretendo voltar a tentar ler o Gaibéus, porque penso que aos 13 anos não tinha maturidade para o perceber. Não pretendo dar a mesma hipótese a qualquer livro de Paulo Coelho.
3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele? Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust – porque sempre são 7 volumes e eu ainda só li 2, eh!eh!
4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?Dois, por motivos completamente opostos: As Sogras Não São Cavalheiros, de P.G. Wodehouse, porque não consigo encontrar a tradução em português (só leio livros traduzidos em português).O Don Tranquilo, de Mikail Cholokov - comprei os 2 volumes já há anos e têm estado esquecidos, não sei porquê.
5. Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer? Almas Mortas – ninguém está a espera que o motivo pelo qual Pavel Ivanovitch Tchichicov vem comprando os títulos de propriedades de servos (as tais almas mortas) seja uma coisa tão prosaica.
6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura? A minha relação com as letras começou assim que consegui empunhar uma esferográfica: a minha mãe dava-me listas telefónicas para eu riscar. E eu aproveitava e riscava também os sofás. Quando efectivamente aprendi a ler, comecei pelos livros de contos. Depois passei para a BD da Disney. Seguiram-se os livros da Enid Blyton (“Os Cinco” e “As Gémeas” – mas nunca me deixei convencer por “Os Sete”), até aos 11 ou 12 anos - altura em que li As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis, o meu primeiro livro de literatura a sério.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê? Imensos! Destaco: A Terceira Condição, de Amos Oz (nunca um livro me deu tanta luta); Z, Vassilis Vassilikos; Morte de um Apicultor, Lars Gustafsson; A Pianista, Elfriede Jelinek.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos. Vou indicar os livros que me deram mais prazer ler, independentemente de serem ou não obras-primas da literatura. Entre os livros que li mais arrebatadamente, encontram-se mistérios policiais, divulgação científica, romances históricos, biografias e livros de História. Além disso, escolhi apenas um de cada autor, de forma a não prolongar ainda mais a lista. De certeza que depois de ler isto, vou penalizar-me pela ausência de alguns que adoro, mas assim de memória, aqui vão os principais:
Almas Mortas, Gogol; A Mulher de Trinta Anos, Balzac; Madame Bovary, Flaubert; A Pequena Fadette, George Sand; A família Golovliov, Saltykov-Chtchedrin; A Dama de Espadas, Pushkin; A Estepe, Tchekhov; Uma Família Inglesa, Júlio Dinis; A Cidade e as Serras, Eça de Queiroz; Orgulho e Preconceito, Jane Austen; Jane Eyre, Charlotte Bronte ; Vinte e Horas na Vida de Uma Mulher, Stephen Zweig; O Coração das Trevas, Joseph Conrad; A Um Deus Desconhecido, John Steinbeck; O Fio da Navalha, Somerset Maugham; Os Cavalos Também se Abatem, Horace McCoy; A Trela, Françoise Sagan; Retrato do Artista Quando Jovem Cão, Dylon Thomas; O Eleito, Thomas Mann; Morte no Retrovisor, Vasco Graça Moura; Correcções, Jonathan Franzen; Amesterdão, Ian McEwan; Irei Cuspir-vos nos Túmulos, Boris Vian; A Casa Grande de Romarigães, Aquilino Ribeiro; O Velho Gringo, Carlos Fuentes; Jim o Sortudo, Kingsley Amis; O Código dos Wooster, P.G. Wodehouse, A Casa Torta, Agatha Cristie; Cozinheiros a Mais, Rex Stout; Os Crimes da Rua Morgue, Edgar Allan Poe; O Intruso, H.P. Lovecraft; A Talentosa Flavia de Luce, Alan Bradley; Imprimatur, Sorti e Monaldi; A Tábua de Flandres, Arturo Perez Reverte; Roma, Indro Montaneli; Da Alvorada à Decadência, Jacques Barzun; O Nariz de Cleópatra, Daniel J. Boorstein; O Sorriso do Flamingo, Stephan Jay Gould; O Cérebro de Broca, Carl Sagan; Deve Estar a Brincar, Sr Feynman, Richard Feynman.
9. Que livro estás a ler neste momento? O Fumo, de Ivan Turguenev.
10. Indica dez amigos para o Meme Literário: Que 10?! Indico 15, que eu sou uma pessoa que gosta de incomodar toda a gente:

16 comentários:

ricman disse...

Curioso. Temos alguns gostos parecidos (cinco, sete "meh...", poe, feynman, sagan (um mundo infestado de demónios), gould.
Só deve faltar por aí um Dawkins (god delusion e blind watchmaker)

Pusinko disse...

Ahhhh, esse coração enorme que não quer deixar ninguém sem um pedacinho de incómodo... é como o milagre do ão e dos peixes... fartura para todos.
Gracias :) respondo dia destes.

Beijo

Miss Murder disse...

Vou aceitar este desafio e tentar responder com seriedade também, acho que irei conseguir, não estou certa de todo!

Obrigada <3

Julie D´aiglemont disse...

Ricman: fico muito contente por alguém gostar de Feynman. Eu sou uma fã e ainda não consegui aceitar que ele morreu (apesar de ter conhecido os livros após a morte, eh!eh!).

Pusinko: és muito, muito má. Eu até queria ter desafiado muito mais pessoas e tive de restringir-me a quem eu achei que iria responder. Pelos vistos...

Miss Murder: estás a vontade. Até prefiro que respondas com gifs.

Pusinko disse...

Por exemplo, já estou a meditar na 1a e já respondi à segunda.
So que agora que acabou o meu intervalo de almoço, vou ficar sem net no café para concentrar na escrita. E botar metal nos phones.
Logo medito mais e melhor. Vais ver.
"Não te deixarei morrer, David Crockett", que é como quem diz "não te deixarei na mão Julie D'aiglemont" mas em literário...
Levo os desafios muito a sério.

Ainda assim continuas a ter razão na parte de eu ser má. É com gosto que alimento essa faceta um bcoadinho todos os dias xD
Vou trabalhar que também faz falta.

Beijo

Manuela disse...

Querida Julie, desde já agradeço a atribuição do desafio, mas já coloquei o selo há uns tempos atrás e respondi ao desafio. Todavia, sinto-me muito honrada com a nomeação :)

Julie D´aiglemont disse...

Que selo? Há um selo? A mim ninguém me deu um selo!

Prezado disse...

Eu não quero selo. deixa tar.

Julie D´aiglemont disse...

Prezado: eu também não quero selo. Mas não podia deixar de protestar! Agora deixa de ser rezingão e responde ao desafio, carago!

Maria Papoila disse...

ah olha, sou eu! vou tentar manter a pose e responder à altura :)

Teresa disse...

Muito obrigada, assim que tiver tempo respondo... Gosto das tuas escolhas!

Francisco o Pensador disse...

Julie, eu até aceitava de bom grado o teu desafio, não fosse o mau hábito que me persegue desde que atingi a puberdade, em passar 2/3 dos meus dias a pensar em sexo.
Pergunto: Estás segura de que isto vai resultar bem? :)) Kiss

R. disse...

Hum... Já respondi! Passa lá para veres!

beijinhos

Martini Bianco disse...

Farei o possível para cumprir com tão exaustiva tarefa. A maior parte dos meus livros favoritos já têm pó.. :)

.:GM:. disse...

Finalmente vou dar seguimento a isto... só me dás trabalho porra.

Teresa disse...

Júlio Dinis é delicioso. O primeiro que li foi Uma Família Inglesa, numa versão idiota e condensada, que me ofereceram no Natal, aos oito anos - passei o dia agarrada a ele e despachei-o em poucas horas. A seguir, aos 12, li A Morgadinha dos Canavaisi, que fazia parte do programa de Português. Adorei! E a seguir marcharam todos os outros. Tem momentos absolutamente deliciosos de humor.

E temos Balzac, claro. :)