Parafraseando a Dr.ª Rute Remédios, as opiniões são como as vaginas: cada uma tem a sua e quem quiser dá-la, dá-a. Neste blog, Julie D´aiglemont dá a sua. Opinião, claro. E nem sempre da forma mais respeitosa. Isso ofende a vossa sensibilidade? Então, ide, ide. Ide ler o programa de um qualquer partido de extrema esquerda, que de certeza é mais consentâneo com vossos princípios morais.





quinta-feira, 26 de maio de 2011

Os gatos

No Antigo Egipto, por volta de 4 mil a.C., os egípcios domesticaram gatos, que foram usados para o controle de pragas nos seus armazéns de cereais. Do Egipto, os gatos foram levados para Itália: na Roma Antiga, já eram considerados símbolos da liberdade e qualquer representação da deusa da Liberdade apresentava um gato repousando a seus pés. Da Itália espalharam-se pelo resto da Europa.

A ligação dos gatos com os cultos pagãos desencadeou uma campanha da Igreja Católica contra eles. No Século XV, o Papa Inocêncio VIII (de quem já antes falei) inclui-os na lista de seres hereges perseguidos pela Inquisição e passaram, por isso, a ser queimados juntamente com as pessoas acusadas de bruxaria.

A população de gatos na Europa quase foi dizimada, o que levou à proliferação de ratos, que atacavam impunemente os stocks de cereais.

Sem alimentos nos celeiros, os ratos atacavam as despensas e as próprias pessoas. A multiplicação de pulgas foi inevitável e a população humana entrou em desespero, com fome e doenças.

Entretanto, a Peste Negra assolou a Europa, motivada por uma bactéria transmitida ao ser humano através das pulgas dos ratos pretos que desembarcavam dos navios provenientes do Oriente.

Em Veneza, como no resto da Europa, a Inquisição não poupou os Gatos. Mas então perceberam a importância dos gatos para a sobrevivência da cidade, uma vez que as suas pequenas ruas e canais favorecem a proliferação de roedores. Por isso, decidiram empreender uma viagem ao Oriente em busca dos felinos, que depois foram largados na rua, assinalando o fim da epidemia.

Após estes acontecimentos, desenvolveu-se uma raça de gatos tipicamente venezianos, fruto do cruzamento entre gatos orientais e antigos gatos autóctones, que lembra o gato bravo da Síria - o "soriano". Constituíram, assim, o orgulho dos Venezianos, que desde então têm para com eles uma dívida de gratidão.

Actualmente, cerca de 12.000 Gatos continuam a vigiar a cidade dos Doges. É-lhes assegurado abrigo, alimentação e vacinação, e os nascimentos são controlados.


Moral que deveria ser retirada pela Câmara Municipal do Porto: quem ignora a História arrisca-se a repeti-la.


Foto: Manjerico, recolhido da rua com cerca de 1 mês de idade.

19 comentários:

. Sofia . disse...

Coitadinhos do gatos. :O

L.O.L. disse...

A História tem sido ignorada ao longo dos Séculos. Se assim não fosse, nunca se teriam repetido Guerras devastadoras que ainda hoje pululam um pouco por todo o Planeta.
Só mais uma coisa:
ADOOOOOORO GATOS. :)))

Leana disse...

O post parece-me interessante, e digo "parece-me" porque a fotografia (espectacular) do Manjerico não me permitiu concentrar no que escreveste abaixo.

Esse gato é qualquer coisa de extraordinário...

AVOGI disse...

ao se um dia o Manjerico vier À RAm vamos providenciar um encontro amoroso com a Mimi, sim? tenho tb a Gata-Gira; que tal uma menage a trois?

Julie D´aiglemont disse...

Notícia triste: Manjerico foi castrado!!

Leana disse...

Oh Julie, és tão má páh!!!

E dizes isso assim, com a naturalidade de quem diz que foi à Pleto comprar uma camisola!!!

Coitadinho do Manjerico...

Julie D´aiglemont disse...

Teve de ser, Leana. Eu sei que ele é muito lindinho e merecia que se preservasse a genética, mas só assim consigo ter esperança de que ele não apanhe imunodeficiência felina (sida dos gatos). Ele já tem 5 anos. Vou procurar fotos dele em adulto para postar. Beijooooo.

Petra disse...

Excelente post.... E é verdade, muitas vezes por mais que se pense que os tempos são outros... a história volta mesmo a repetir-se.
Porque afinal tudo é um ciclo. beijo

Leana disse...

Eu sei, estava a brincar :p

Quanto ao Sical, vai ali à minha tasca que tenho lá uma cápsula para te oferecer :)

**

Miss Murder disse...

Eu gosto tanto deles, se eles não me fizessem tanta alergia até arranjava um para ser meu amigo.

.:GM:. disse...

Apetece dizer: "toma lá morangos!" ;-) Onde anda o Ska??? :-P

Teresa disse...

Não diria melhor! Gostei desta apresentação dos factos!

Catarina Reis disse...

Eu adoro gatos e animais em geral, também estou sempre a salvar algum. Um beijo grande

Maria Papoila disse...

Manjerico extremamente fofinho.

Gostei da explicação sobre os gatos e quero que essa camara municipal enfie um ananás no nalguedo.

Se faz favor.

FireHead disse...

Sou católico praticante e por acaso desconhecia essa história do Papa Inocêncio VIII até ter ido pesquisar. De facto Inocêncio VIII incluiu o gato preto (não todos os gatos) como sendo um alvo a abater pelo Santo Ofício, mas um Papa é um homem como outro qualquer, com as suas paixões e motivos. Vale, portanto, a pena salientar que o Papa actual, o Papa Bento XVI, adora gatos - é o animal preferido do alemão.
A Inquisição foi necessária na altura, na medida em que se evitou muitas mortes de inocentes, como por exemplo das mulheres que eram vítimas dos cátaros, os responsáveis pelo início do Santo Ofício.

Julie D´aiglemont disse...

Muito obrigada a todos pelos elogios ao meu bicho mau.

Firehead: apesar de eu ser agnóstica, não renego as minhas raízes cristãs, bem pelo contrário. O Papa referido era um valentíssimo cabrão... mas não era por ser Papa, era-o pura e simplesmente, como muitas pessoas antes e depois dele.

FireHead disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
FireHead disse...

Obviamente, amiga. Houve Papas que foram, de facto, cabrões. Os Bórgias e os Médicis que o digam.
Humanos são humanos: imperfeitos.

EJSantos disse...

Disse e repito: adoro gatos.
São lindos.